quinta-feira, 1 de novembro de 2018

TRATADO DE PEQUENA POLÍTICA.


-Sobre a aparência das coisas. Se você‚ um iniciante dessa nobre arte da política deve primeiro pensar um pouco, que a coisa não ‚ nada fácil. Vocêˆ vˆ um desses políticos da velha guarda e fica logo imaginando que ‚ uma boa carreira a seguir, mas tem l os seus percalços. Como dizem os conselheiros de pequena política: "Vocêˆ vˆ as pingas que eu bebo, mas não vˆ os tombos que levo." O que segue são conselhos, tirados da experiência.Muito mais um "Vademecum" dos procedimentos e posturas de um candidato a político, do que um tratado completo sobre o assunto política, como um livro teórico de verdadeira política, mas são regras básicas e tiradas dos mestres mineiros e nortistas dessa verdadeira arte de enganar o povo e ainda por cima fazer parecer que está ajudando. Siga os conselhos e tenha a certeza de que no fim acabar ajudando a si mesmo e a seus parentes, bem como a esta gente simples, na aparência, que parece acreditar em tudo que dizem, mas que no fundo são mais velhacos do que você pensa: eles tambem estão tentando melhorar a vidinha deles e esperando ganhar alguma coisa que no fundo são apenas migalhas. V em frente e boa sorte.

CAF COM BRIOCHES: uma hist¢ria …s avessas.


CAF COM BRIOCHES: uma hist¢ria …s avessas. Ù"Se eles nÆo tˆm pÆo, que comam brioches..." (Maria Antonieta) Um intelectual, desses que se auto-intitulam progressistas, viaja … Par¡s para ver a apresenta‡Æo do excelente "Grupo Corpo", de Minas, no Teatro municipal de l . Pede um cafezinho no "Petit CafŠ avec brioches", enquanto espera pela hora do espet culo. Paga 4 dolares. Uma viagem … Europa esta custando os olhos da cara como todo intelectual progressista deve saber. Comecemos fazendo contas …s avessas como promete a hist¢ria: dos 4 dolares, de cara sÆo descontados 60 centavos de gorgeta, que gar‡on francˆs nÆo est para brincadeiras. Restam 3 dolares e quarenta como pre‡o a menor da gorgeta. Suponhamos que o francˆs do Petit sirva apenas caf‚ e brioches: metade da receita vem do caf‚ e metade do brioche, assim como as despesas sÆo repartidas meio a meio. Suponhamos outrossim, que o Francˆs venda 300 caf‚s por dia, "faturando" a m¢dica importancia de 1.200 dolares ao dia s¢ com caf‚.

era uma crueldade de dentes.


Mas, o Polico era potroso mesmo, leva o povo a pensarem que que sesse homem macho de verdade, em respeito ao volume. Ele era homem baixo gordo e rendido. Caminhava com dificuldade , pelo inc^modo do rendimento, o passo arrastado, causo do saco uma enormidade, rescindiva de cachumba recolhida, pode que desceu pros bagos, ele era potroso.Durou pouco o reinado do Polico. O Justino era o tipo do valentão caranca: quando ria, se ria...era uma crueldade de dentes. Trecho do cordel mineiro: Histórias Safadas, por Vitor Hugo Romão, poeta e decifrador.

enfia a viola no saco e some!


__ah! É assim é? Possa ser q seje. Tem outra coisa: como q andam dizendo q vc anda desrespeitando minha amásia, rbejando ela na minha ausência. Isso num ta certo! Me digue logo duma vez. __Ara seu maximiniano, invencionice dessa gente alcoviteira q num tem o que fazer. Pois quer saber? Eu até q sou meio chibungo. Sou viado de tudo. Pois num é q , pelo fato esse até me puzeram o apelido de Póla Curiango, num sabe não? Num dá confiança pra essa prosa de rua não seu manoel maximiniano Justino, q num paga a pena,num vale a canseira de vossa excelência, me disculpe. __A pois então enfia a viola no saco e some! E vamos parar de prosear! E não me chame disso você falou que num gosto. Sabe lá se isso é nome feio, coisa de gente fresca? Tambem não sou teu íntimo, a ponto de dar essas liberdade, tamos conversado? Aceito os michimentos . Num torna noutra que senão vai se aver comigo, some das minhas vistas, desaparece!

POLICO PEDE MICHIMENTO


__Ara, seu Justino, invencionice do povo pra me indispor com a sua excelência. Reverenciou o Polico ainda encolhido num canto. __Cumo é que é? Tem ou tem, desembucha logo. Deixa de ser subalterno, sô. Mostra logo a macheza que vive alardeando. ...Se tem, mostra logo, deixa de mamparra. __Baguico atoa, seu Manoel Justino, coisica de nada, mais parece uma íngua. Num passa de ser uma mula, coisa de doença venérica mal curada, consquência dum cancro duro. Agora sua excelência sim é q tem treis bagos, pra fazer justiça às sua grandezas machas.Merece de ter. Se sua excelente pessoa diz q tem é pq tem , gemeu o Polico cheio de dedos, a voz afinada de propósito, se pondo muito inferior.

A VOLTA DO JUSTINO


– Que jeito esse Polico? Me admira muito o que o povo andam dizendo! Diz que nesse tempo que passei nas Neves você que virou num valentão? Escutei umas prosa, que você anda cantando de galo pras vendas, rastando mala: que num tem homem procê nessa terra; que é muito macho e coisa e tal... me digue se é verdade que você tem treis bago como que anda dizendo...Me admira muito falar desse jeito, pq se é verdade, me mostra, pq somos dois: eu sim é que tenho treis tentos. Por isso q sou macho maxixo maduro e doce, está sabendo.E tem mais: tenho treis e dos grandes, num é pra me gabar nada não. – Ara, seu Justino, invencionice do povo pra me indispor com a sua excelência. Reverenciou o Polico ainda encolhido num canto. –

doce de letria


A frente os cavalos em passo picado e cavaleiros nos seus trajes de culote e polainas, os rebenques peitorais de argola e rabichos, os rabos de tatu, giboias de iapas estalando pra tanger os animais, esporas reluzentes prateadas, estribos ciliäes pras senhoras e montarias das damas solteiras.Pelegos e colchonilhos e as baldranas. Por derradeiro as mulinhas marchadeiras os cavalos de montaria de senhora, por fim a tropa de burros de carga e animais de lida, a frente a madrinha da tropa de cicerro dando o tom de festa da comitiva, burros mandriäes e piquiras, eguas de potro, cavalos espojando na poeira. A hora, era tarde. Aquele ia ser dia dos bons, at‚ de faltar da escola. Num carecia de apartar vacas e nem a amola‡Æo de cascar milho e tratar dos porcos. Comida das boas: ia ter doce de letria. Foi de fio a pavio: tudo pronto para a partida.