segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Tipo medonho, caratonho um tal de Tião Tiatonho.


Simplório, trabalhador de roça, muito sacudido. Vivia do eito, situante, um mijico de terra, quarta e meia e salamin. Rocinha pouca, uma tutaméia duns poucos quase trinta litros de milho e feijão. mais deis litros de feijão solteiro, um arroisinho tiguera, muito maltratado de pragas, capivaras e lacraias. O medidor de palmo comendo solto de bocada, num deixando vingar os pés sadios. Criação quase nada um marruás e duas vacas de bezerro, mais outras tantas solteiras e amojando, chegadinhas pra dar cria. Um animal de lida e qualheira, pra selote e cangalha de bruaca, mais um piquira de sela, pra vender queijo na cidade. Mas foi depois de muita manta e trama com ciganos manada acampada no sítio, foi que manicou que era de negócio: tinha conseguido de passar manta no gajão, trocou de animal por um mais esperto e sadio, apanhou uma é gua de potrinho. De tanto ver os breganhistas melhorarem de vida, a poder de muita trama de negócio, encafifou que podia dar certo no negócio de animal e ficar rico, uma vida mais sem-vergonha e livre do compromisso diario de serviço.. E não é que que pelo fato de ser marinheiro de primeira viagem, acabou mesmo com sorte, não sei se porque uma coisa ajudou: um principio de doideira, uma nuvem de fraqueza da idéia, facilitou as coisas. Porque no fim acabava não fazendo conta das pequenas coisas, muito mão aberta e corajoso, fato que fez ele granjear a confiança do povo: tanto assim que todos o procuravam pra negócio, não vendo na sua pessoa simploria, nenhum daqueles defeitos: a muchibagem, a esperteza em demasia, ser águia em excesso. Mudou pra cidade, casa duns parentes, viviam tudo empelotados: os tiatonhos. Comprava qualquer coisa sem o nenhum critério. Trocava. Não punha nenhum cabedal de empenho, mal examinava, confiava nos outros. Isso acabou ajudando, conferindo a sua pessoa dele uma enormidade de simpatia. Pouco por muito: ajuntava. O preço subia, ganhava sem querer, foi enricando. Juntou um despropósito de animal, criação: garrotes, porcos, cabritos, carneiros. Não enjeitava nada. As veses trocava, para ajeitar negócio, pelos mais conspicuos objetos, muitos sem serventia pra nada: espingardas, garruchas, canivetes. Do jeito que evinha, ia. Comprava a prazo, vendia a vista, o tempo passando, foi ajuntando tranqueiras. O preço das mercadorias subindo, a moeda desvalorizando, acabavam deixando despropósito de lucro. Acabou juntando uma colondria de gente rodiando ele, ajudavam nos negócios, tocavam criação, em troca de casa e comida, sempre farta, ele nomeio na maior simplidade. Com dinheiro na mão, era crise, os negócios davam certo: muito alem do que esperava, sem querer ganhava, que todos traziam informação: muito querido de todos, espalhafatoso nos gestos, grande de coração, placiano na sua prosa dele, muito espaçoso com todo mundo. Uma pessoa simpática, não fazia questã de nada, ajudava todo mundo.

Reflexões do Theófilo.


O Homem, primeiro ele se descobre e traça um jeito de ser e prosear, existe, surge no mundo e no mando. e só depois se define. O Homem é, não apenas como se concebe, mas como quer que seje, depois da existencia. Existir no caso é ser livre, mas ao mesmo tempo ser obrigado a fazer escolhas. Falando de loucos. —Ché! disparate de cantorias. —Cantavam seus ais chorosos, duetados de finos ais, estridentes de lamuriações. Choramingas. Mal de amores, o povo sonhando fundo a emoção, os braços alevantados como em orações de Padre-Nossos. Ladainhas de vias Sacras. Era o causo que eles tinha de levar em comitiva dementes, uma colondria de loucos pros hospicios, pra cidade grande de Campinas. Mas como reza o ditado que "de médico e louco, todo mundo tem um pouco", não seria uma viagem inusitada, a novidade nenhuma nada que isse gente até sã da cabeça, uns mais, outros menos varridos da idéia, pra nenhum ninguem botar reparo. Mas aquela era uma empreitada diferente, dados que as viagens usuais praquele mister, uma vez ficadas por demais espaçada, deu se que veio de formar contigente volumoso de airados, com destino a manicomios, razão porque chamava muita atenção do povo do lugarejo, tirante que uma aglomeração de loucos é um fato que desperta muita curiosidade, dado os desatinos todos daquela gente, constando ainda que vinha de ser uma expedição sobejamente custosa de dar com esse povo em casa de loucos. A empreitada sebdo assunto pra gente instruida, que dessa vez era louco pra mil réis, o grande espaço de tempo entre uma entrega e outra, deixou a cidade em polvorosa e cheia de gente fraca do juizo da cabeça. Qualquer um, não servia pra dar cabo de tão dificil tarefa. Tinha de ser gente de escrita correta, cartorista ou escrivão do crime, algum meirinho ou autoridade do forum. Tinha louco pra mais de metro, uma leva deles, as mais impossiveis variedades imaginadas, desde esclerosados simples, gente vivendo num passado distante; gente esquecida dos fatos do dia a dia; manicados alguns alguens com materia de religião; outros encafifados de ganhar na loteria; encasquetados de virar num milionario, duma hora pra outra; loucos de amor puro e simples; doidos varridos, desses de avançar na gente ou de tirar a roupa no meio do povo, mostrando as vergonhas, na maior simplidade, sem a noção nenhuma da falta de desrespeito; gente perdida no espaço e no tempo, num acudindo um nada, sem dizer um a de coisa com coisa, quando a gente instiga, perdida a claridade do juizo, nenhum ninguem ciente dum nada, esgotado o entendimento do juizo da cabeça; simples desandados da cabeça, gente sistemática em escesso; velhos caducos, variando com lembranças remotíssimas; gente que perdeu por momentos a lembrança das coisas; gente com visões de coisas impossiveis, de almas penadas; alguns que perderam com a crise de 29, com vontade suicidar por suas próprias mão deles; empobrecidos que não conformam com a situação de perca; loucos mansos doidos varridos, matusquelas e de mil modos que um pode ficar ruim da cabeça; enfim uma fatiota ridícula e triste, mas divertida, pra nenhum botar defeito. A viagem, uma peripécia: que se passou coisa do arco da velha. Louco que ficou são na metade da viagem; pessoa sã, ficando doida no transcurso da viagem, no meio da caminhada; gente sã, internada no lugar de gente sem juizo por arte de astucias desses uns; louco, levando louco por engano, ou gente sã ficados doidos na viagem; doidos varridos e fugidos de hospicios na horinha mesma de vestir a camisa de manga compridíssima; professores de letras em indumentaria de forum, de fraque e cartola; loucos ladinos de ativos, loucos brandos, doidos intempestivos; loucos falantes e gente do apá virado e doidos silenciosos; loucos de todos os jeitos possiveis e imaginados, era louco que num acabava mais. Em desde que eu me entendo por gente, nunca que eu num vi um ajuntamento tão seleto e tão estrangolado, numa embaixada tão estranha. Tem precisão de um relato minucioso, tanto dos interditados como de seus condutores responsados.

O Sinésio num era bem dizer um louco


Aves inquietas. Os jovens: eles vem eles vão, como os passaros, são aves de arribação. Em debandada trovejam ao menor buliço, arremetem; não de medo, senão que de inquietação. Pousam em qualquer lugar, aos bandos: vão chegando aos pares, singulares,de repente multidão em alvoroço, o caos estrepitoso. Se aninham. Ali ficam arrulhando buliçosos, batem azaz afugentam tristezas, brincam. Calmos, sem nenhuma ordem, formam novos pousos inesperados; ficam, depois vão como vieram, do nada, sem aviso prévio. Arremetem. A alegria intensa. Quase sem necessidade. Que pensam? quase não pensam. Liberdade. Ser livre mas ao mesmo tempo ser obrigado a fazer opções, que é o que cansa. Dificil. É assumir a responsabilidade pelo que fizer: certo ou errdo. É criar constantemente a própria essencia individual. O Homem, ele está condenado a ser livre. Condenado porque não se criou a si próprio e no entanto livre, porque uma vez lançado no mundo, é responsavel por tudo que fizer. Ele tem de escolher naquilo que está próximo, por o mais já estar determinado, como fazendo parte de um universo maior.. —Campeia a zagaia Nestaldo, esse o nome do Pinduca. Pode que num dá tempo de trocar os cartuchos. Aí ó! nóis tamos nhambados: estamos no cu da perua. Na unha dela a malvada! Descrição de tipo. O Sinésio num era bem dizer um louco, mas um homem ultrapassado, meio prosaico de antigo, no ar e nos trajes. Não percebia a passagem do tempo, tinha la suas teorias a respeito da Política. Em plena fase republicana, o posotivismo ganhando a preferencia dos mais avançados, ele era monaquista. Presidente o Dr Artur Bernardes e presidente do estado o dr Antonio Carlos de Andrada gente dos Andradae Silva, secretario de justiça, o Coronel João Alberto, ele vivia como se estivesse na monarquia. Defensor de D. Pedro segunda e da familia imperial, tinha um respeito doentio pelos simbolos do poder, contra a abolição da escravatura. Seus discursos barrocos, da época parnasiana, ainda cheio dos dizeres monarquistas. Quando viu a situação dos loucos, iniciou a sua peroração."Sabia que num ia dar certo, esses republicanos não sabem de nada mesmo, são uns barbaros: onde já se viu levantarem barricadas contra a figura excelsa do imperador, que foi escolhido governante por uma questã de direito natural? é uma excrecencia: onde nós estamos? São muito materialistas, gente atéia, sem religião, tudo positivista e maçônico. Se o Clemente Mariani, estivesse vivo, ou o Joaquim Murtinho, aí sim: gente de pulso forte pra conter essa ralé, esse povinho revoltoso que não respeita a figura sublime do nosso imperador. Expressões Ele era um homem sem ardencia, um fresco, bem frangão, por mais que esquentassem ele. Num aluia um nada. Ele num aloi nem um pouco. Mas deu pra variar, ficou com o braço esquecido, andava distraido pelas ruas pra desaparecer a idéia da cabeça. A mulher garrou de ficar com pensão daquilo dele.

o diabo andava a solta


Você não acha que tem dia que parece que o diabo anda solto, como que no meio do redemunho. Ele andava com o diabo no corpo que nem lobisomem em noite de sesta santa de lua cheia, quase a pino, um ar de magia excessivamente clara, o tempo limpo sem atmosfera. entoou uma cantiga sem nexo, um homem especula e abelhudo. Deu o quinau nele: pança de angu. largato escadeirado, sai bunda de marimbondo! Uma chuva fina, vasqueira, ridica de tudo: chuva temporona. São os eternos esperançosos que dão força e valor a vida: os demais tem uma cortina espessa de tristeza cobrindo os olhos e o coração. É preciso de qualquer jeito acreditar nalguma coisa ainda que racionalmente impossivel. Só a certeza do inevitavel da morte certa, nos torna capazes de viver. revela preguiça ou incapacidade , viver a vida real. A veneração pelo incorruptível, criação infantil inaccessível, do distante. Revela o desejo incontido de que outros realizem seu desejo. Estão na maior parte pedindo a Deus que alguem tome decisão por eles. Na verdade é como projetar um sistema do tamnho da nossa preguiça. Por tomar decisãoes e enfrentar as dificuldades do real, um medo de serem responsaveis por seus riscos de serem responsaveis por sua liberdade. Que saibam não tratar-se de denuncia, senão que o enunciado duma proposição matematica, quase contabil. Que a doideira da menina, sendo mais a fome do que a falta do que comer, uma é que :do jeito que os grande passa, os pequenos tamem passa, nenhuma janelinha está aberta pra alguem na hora da correria.

Comparações


Comparações Tem que resolver um problema de tempo: uma segunda passagem do Halley, na cauda de um cometa é que ele vai. Entra num buraco negro, explode apartecendo em outro lugar. Coleciona tudo que é velho louco imprestavel, gente recem morta, para ressuscitar. Gente desenganada com cancer, leucemia, aids, lepra e fogo selvagem. Até cura de doença nova das florestas, invisível e da fraqueza. Tudo para servir de matris ou receptáculo de sua nova raça dele que vai voltar com ele na segunda passagem do cometa. O Gordurinha A pessoinha dele a-toa, sem prestimo nenhum. Cara chupada a barba rala que nem que cabelo de milho. A cor rósea, glabra, clara, transparente, o nariz quase sangrando, que é puro ranho, sempre chupando eterno resfriado, a tosse sem fim, seca de catarro. engole não engole. Magro fino esquelético, todos dum jeito só, esqualidos, a mesma figura de valete solitario, o cabelo sem cor, escorrido, magro da cabeça aos pés, branco, pouca barba, pouca sombrancelha, sem pestana, o vermelho rodiando os olhos furta-cor. Boqueiras permanentes, nariz escorrendo o nó saliente de Adão. Pescoço comprido muito fino: a mesma figura repetida sempre. Sem peito, sem carnes, sem bunda. O pé grande de tonto, vorteado, demais, dedão separado calçado de espora dum pé só. Fuinha, calça amarrada de embira meio caindo mostrando o rego da bunda, imberbe, sem bigode, uma preguiça de dar dó. Uma dor constante que principia no encontro e responde na cacunda, a maior parte deles teve de levar no curador pra tirar vento virado e curar quebrante.

O Anticristo


A historia dum moço muito branco, branquíssimo, loiro, quase albino, os olhos de vidro, como de bonecas. Nele, tudo se renova, instantaneamente, nada fica velho: os dentes, unhas, cabelo, a pele glabra, nada que fica mais velho, imprestavel. Fala pouca de opiniões precisas, susurra, um fino de vós de falsete, nem masculino nem de mulher, branda. Vindo de outro lugar, a raça sua dele se acabando. Precisa deixar descendencia, ou levar algum alguem com ele para experiencias, velhos que seje, ele os renova e nunca que deixa morrer. O tempo não passa, dura enormidade. Tem uma fosforecencia um brilho, só luz. O povo principiam de adorá-lo de manso que é: moças, velhos, até homens não tem vergonha de ter um bem querer. Tudo que toca sara o incômodo. Ele cura: de perto, pondo a mão; de longe: pensando as feridas. Adivinha pensamento e o que vai acontecer. Prevê calamidades. Sonha, seu sonha vira em realidade. Vira num culto de poder, as pesoas num querendo de deixar sua presença. Mas o pensamento avoa longe, as vistas no cèu distante, num lugar definido. Descobre riquezas e pedras de rubí, pedra dágua aonde que tem escondido visões de grande beleza, ouro enterrado, pelo sentimento e pelo faro, navios naufragados. Entra dentro dagua e respira pela pele: não molha. Fica horas dentro dagua sem respirar, até dorme dentro, volta com achados. Se quer, dorme um mês sem parar, mas nunca que fica cansado e quase não tem fome: come cascas de arvores e chupa resinas de pau. Dentro dagua, a outros parece morto, mas o corpo quente quando sai, os insetos não pousam nele. Se pousam, alvoroçam e saem desesperados feito loucos, em voo cego sem destino: ficam pegajosos. Organiza planos de volta, leva velhos loucos imprestaveis, condenados de cadeia e de doenças incuraveis. Assim como veio, vai, em nuvens douradas, brisas calmas, o povo ficam tristes da perda. Sai em carruagens de papai Noel, naves silenciosas. Faz chover

Descrição do tipo


Vez em quando tinha briga feia, mas nessa não, que o Bié Romão tinha autoridade, impunha o respeito necesario. Eveio chegando gente de todo lado. foi chegando cavaleiro, gente de a pé e carro de boi. Aparecidos nas grotas e boqueirões. A fazenda do Bié Romão na beira do Rio Pardo. Aonde que tinha um sumidouro, uma loca de pedra, um redemunho, a agua entrando na pedra pro chão fora, indo apontar muito embaixo como que partindo o rio em dois pedaços, depois a cachoeira.Depois de tirados os afogados só ficou o arvado deles, comidos pelas piranhas, pelas lontras e pelos urubus de carniça, treis dias depois. Um deles esmigalhado nas pedras de tanto girar no redemunho, num sabendo qual o quem, desreconhecido. O povo ficaram com os olhos orvalhados de tanto chorar a morte dos tres uns. A festa virou em tristeza. Só. Era mes de abril, o céu azul de muito vento, mas azul de abril, um ceu azul de sanhaços. Um homenzinho meio magruço, cheio de dignidades. Muita simplidade no ar e nos trajes. No jeito de caminhar, um balangado esquisito, a cabeça agacha, muito grande, desproporcional pro corpo franzino, o corpo penso prum lado. Envergonhado de tímido em excesso os braços cruzados atraz das costas numa postura impossível de imaginar. Muito sorriso, poucos dentes. Um sesso de cambetear prum lado, um vicio de personalidade.